Ailton Vilela Primo
Prosas, versos e crônicas frutos de uma alma inquieta e livre.
Textos
JÁ VEM DE LONGE

Quando nasci, o Brasil tinha por volta de 50 milhões de habitantes, naquele tempo, a propaganda eleitoral se resumia aos contatos diretos com os eleitores, o aos comícios. Portanto desde bem pequeno acompanho propagandas eleitorais. É impressionante constatar que os métodos de que a grande maioria dos candidatos se valem, não para convencer, mas para iludir os eleitores continuam inalterados, mesmo agora, quando já caminhamos para duzentos e cinquenta milhões de brasileiros, hoje, ainda mais favorecidos pela evolução e proliferação dos meios de comunicação. Nunca assisti a um programa eleitoral, em que todos, sem exceção, até os mais ridículos e caricatos candidatos, espremidos em 10 segundos não usem o mesmo mantra: “Vou trabalhar pela Educação, saúde, e segurança”. – Vamos falar especificamente da saúde por ser o que mais nos aflige agora, nessa situação de pandemia. Depois de eleitos os políticos se comportam apenas de maneira protocolar, e esquecem do que se comprometeram com a sociedade. Perdem o foco do que realmente é importante e muitos acomodam-se com quatro anos de polpudos salários garantidos e pouco trabalham, tornando-se um peso morto para a sociedade. Só na próxima eleição voltam a abusar da paciência e a insultar a inteligência dos eleitores, prometendo as mesmas coisas. Todos os governos, uns mais outro menos, destinaram grandes volumes de recursos para a saúde (atualmente 10% do PIB). É muito dinheiro gente. Daria para termos um sistema de saúde pública muito melhor, se esses recursos não fossem desviados, mal direcionados, ou simplesmente tragado pela corrupção. Não precisaríamos estar passando por essa vexatória situação de ver doentes morrendo por falta de leitos de enfermaria, de UTI, insumos nos hospitais, medicamentos e por aí afora. Imaginem a montanha de dinheiro destinado a saúde que se foi pelo ralo por falta de planejamento adequado e pelo sugadouro da ilicitude. Daria facilmente para oferecer ao povo um sistema de saúde que atendesse suas necessidades, e acima de tudo respeitasse a sua dignidade. Essa situação já vem de muito longe, desde o começo da república brasileira. Não é agora, numa situação de emergência sanitária, que se deve responsabilizar apenas o atual governo exigindo solução rápida e imediata. Não existe mágica, a conta chegou. O dinheiro que está faltando hoje, é aquele que os maus gestores e os corruptos desperdiçaram e roubaram ao longo do tempo. – A classe política (mortos e vivos) tem responsabilidade sobre as dificuldades que passamos hoje. Não adianta só polarizar e politizar o debate, tentando por a culpa no presidente Bolsonaro como se fosse o único culpado, sobretudo depois de ter seus poderes amputados pelo STF. – A classe política precisa fazer uma autocrítica, e reconhecer sua parcela de responsabilidade por omissão. E, ao invés de isolar e tentar derrubar o presidente. Juntarem-se a ele no intuito de encontrar uma solução, a mais abrangente possível. Talvez essas providências sejam um pouco tardias para a situação atual. Mas pelo menos poderão evitar que passemos por outros angustiantes e vexatórios momentos como esse no futuro. Mas, só com o fim da corrupção, a solução virá completa. Portanto o combate a ela não pode jamais ser interrompido.

AVP-22/03/2021
Al Primo
Enviado por Al Primo em 22/03/2021
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